Desta vez, mudo as letras, mudo a frase, e a prosa não é mais a mesma. Ao som das cordas da canção devaneios, pensamentos, lembranças boas de um beijo que ficou guardado. A lua, a rua, as estrelas e o banco da praça, fiéis testemunhas de uma noite singela, a princípio despretensiosa, mas que algo estava fugindo do controle dos olhos. Os olhos denunciavam. As mãos se enlaçavam. Os corpos iam se aproximando. Havia um medo que sondava. O medo do não. O medo da rua. A noite passava. O relógio soava, mas não havia desejo de partir. A despedida estava em outra rua, não naquela. Um perfume suave que pairava o vento levava para o mar. E o mar, tão perto que estava, calmo ouvia o som do beijo suave e as batidas rápidas de dois corações. Corações vagarosos que sabiam que aquele era o momento de sentir e deixar todo o medo partir. As ruas vazias, madrugada silenciava mãos que se tocavam. Enquanto as pessoas sonhavam, os lábios se tocavam. O silêncio dominou aquele lugar. Ao som da melodia da noite, do som da chuva de gotas repentinas. O tempo voava e aquela noite passava como um filme mudo. Sorrisos não decifrados, sentidos. Olhares que se cruzavam e se fechavam involuntariamente, como o piscar de olhos. Aquela noite então acabava, os beijos não queriam se perder, mas a vida precisava recomeçar, o sol precisava nascer. Os lábios se afastavam e o dia que surgia deixou apenas a nostalgia dos beijos cujo luar era a mais fiel testemunha.

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