quinta-feira, 15 de março de 2012

Hoje resolvi arrumar as malas. Na arrumação encontrei roupas velhas, em desuso. Algumas resolvi doar. Outras, que não havia sentido compartilhar com outrem, resolvi jogar no lixo. Nelas havia marcas, furos, retalhos. Resolvi fazer um teste. Usei. Porém pouco me aproveitou, trouxe-me apenas memórias ruins de como elas tinham se rasgado. Insisti. Mas elas já não cabem em meu corpo. Elas mostram fragilidades que não existem mais. Não sou mais a mesma. Tudo está diferente. Fiz o último teste e hoje resolvi entregá-las.
Assim funciona na linguagem da emoção. Pegue os sentimentos que te fazem mal e ateei fogo. Sim! Fogo! Exatamente. Não guarde mais esses sentimentos. Esquecer o que passou não será possível, afinal há uma memória dentro de você. Chegou a hora do recomeço. Seus braços precisam estar estendidos para novas roupas. Corpo receptivo. Olhos atentos. Coração aberto. Chega de viver de retalhos, linhas cujas cores descombinam, cortes e recortes, remendos. Chegou a hora de viver. Chegou a hora de então usar um novo tecido.
Hoje fiz o último teste. Última chance. Em meu corpo essa roupa está velha e rasgada. Não combina com quem sou. As minhas fichas acabaram. Tudo que posso dizer é que finalmente acabou. Ainda que eu lembre como foi bom usar aquela roupa, mas eu sei que ela não serve para mim. Aquela roupa vai ficar na fotografia. Será guardada na imagem, mas em mim nunca mais será usada.